Volume
Rádio Offline
Redes
Sociais
Como o Barcelona vai pagar pelas contratações? Entenda
21/07/2022 17:24 em Esporte

Até agora, o Barça não conseguiu inscrever os novos contratados em La Liga, a liga de futebol profissional da Espanha. Isso ocorre porque ele ainda não se adequou aos limites de custos para a temporada 2022/23.

 

LaLiga conta com um sistema de controle econômico para os elencos, comissões técnicas e outros funcionários. Resumidamente, são normas que os clubes precisam seguir, desde 2013, com o objetivo de garantir a sustentabilidade financeira da liga.

Diferente do Fair Play Financeiro da Uefa, o controle na Espanha se dá antes da temporada começar. E em março, o Barcelona tinha saldo negativo de € 144 milhões — o único no vermelho. Ou seja, não tinha margem para gastar com novos salários de jogadores. Precisava criar novas fontes de receitas, aumentar as atuais, ou vender atletas.

 

Não à toa, o clube chegou a pedir ao meia Frenkie de Jong para aceitar a proposta do Manchester United. O caso é simbólico para explicar os mecanismos do controle de LaLiga. O Barcelona abriria espaço no orçamento não só com o eventual lucro da venda, mas também com a saída do salário do holandês e com a amortização do valor pago para a contratação do jogador ao Ajax em 2019.

 

Sem essa inscrição, os jogadores não estão regularizados para atuar no Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões. LaLiga deve atualizar os dados sobre limites financeiros para os clubes até dia 31 de julho.

Em entrevista à rádio RAC-1 em junho, o vice-presidente econômico do clube, Eduard Romeu, disse que a folha salarial anual era de € 560 milhões, e que havia a necessidade de baixar esse valor. A diretoria pretendia reduzir em € 160 milhões após renegociações de contrato.

 

ge entrou em contato com o escritório de LaLiga no Brasil, mas não houve retorno dos questionamentos a tempo da publicação da matéria.

 

As alavancas financeiras do Barcelona

 

O Barcelona não teve até agora nenhuma venda de atleta significativa — o mais perto disso pode ser a ida de De Jong para o Manchester United. Mesmo assim, contratou. O que tem feito o clube então para resolver o problema?

Para começar, o Barcelona crê que terá um aumento de receitas. Com a volta definitiva de público aos estádios e o reaquecimento da economia do futebol, a expectativa é de que o clube volte a faturar entre 700 e 800 milhões de euros por temporada. Mas, enquanto isso, não se concretiza, a diretoria busca formas de aumentar o fluxo de caixa.

 

A primeira das chamadas "palancas" (alavancas, em espanhol) foi a venda de 10% dos direitos de transmissão do Campeonato Espanhol, por 25 anos, por € 207,5 milhões, para o fundo de investimentos Sixth Street, dos Estados Unidos.

 

Esse negócio, fechado em junho, ajudou o Barça a fechar o ano financeiro 2021/22 com mais-valia de € 267 milhões. Porém, só 15% dos € 207 milhões irão para ampliar o limite salarial em 2022/23. A maior parte é para pagar a dívida geral do clube, hoje acima de € 1,3 bilhão.

 

 

O Barcelona pretende ceder outros 15% dos direitos televisivos, durante 25 anos, para o mesmo fundo Sixth Street, e assim arrecadar até € 330 milhões. Segundo a imprensa espanhola, isso deve ser concluído até o final desta semana.

 

A terceira tática é vender até 49,9% dos Barça Studios, sua produtora de conteúdo, e assim conseguir outros €200 milhões. A direção optou por não ceder ao mercado a Barça Licensing and Merchandising (BLM), empresa que faz a gestão dos produtos oficiais da entidade.

A direção já recebeu dos sócios o OK para tocar as operações, após a realização de assembleias nos últimos meses. Outra vitória relativamente recente foi o empréstimo de €595 milhões obtido em agosto passado.

 

— Se está trabalhando desde a direção esportiva para solucionar essas questões. Há jogadores que têm que sair porque o técnico não conta mais com eles, e isso está muito condicionado às chamadas alavancas. Se fizermos as coisas como queremos, podemos entrar na dinâmica de contratar jogadores para que possam ser inscritos e também dar saída a atletas com que não se conte mais— disse o presidente Joan Laporta, em evento na Casa SEAT, em Barcelona, no início do mês.

 

 

Futuro Penhorado

 

 

A estratégia do Barcelona, porém, é vista com preocupação considerando o longo prazo. Para César Grafietti, da consultoria financeira Convocados, o clube catalão tem feito algo que muitos times brasileiros costumam fazer: antecipar receitas, contando com um eventual sucesso dentro de campo. Em resumo, uma aposta.

 

— O dinheiro de TV que eles venderam é um dinheiro fixo. O grosso desta receita é do Campeonato Espanhol, que foi renovado recentemente. Isso significa que os próximos três anos não vai ter um aumento grande de receita, e um pedaço dela já foi comprometido. É algo que os clubes brasileiros têm feito. Gastam agora esperando um desempenho melhor na frente. Quando não dá certo, vira um buraco enorme — completou.

COMENTÁRIOS